Neste ano participamos pela primeira vez das Olimpíadas de Matemática Mirim da OBMEP, um projeto nacional dirigido às escolas públicas e privadas brasileiras realizado pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada – IMPA. Os resultados dos nossos estudantes foram bastante positivos, mostrando o quanto um currículo preocupado com o raciocínio lógico, criativo e autoral faz diferença no processo de aprendizagem.
Fazer matemática é mais do que chegar ao resultado correto. É formular problemas; investigar e explorar diferentes possibilidades; criar modelos e planejar percursos; antecipar, estimar e interpretar resultados; olhar a partir de diferentes pontos de vista; lidar com acertos e erros; saber registrar e comunicar o raciocínio para o confronto das ideias.
O que diz a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
Os princípios norteadores do currículo de matemática na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estão fundamentados na valorização das diferenças, do respeito à dignidade da pessoa humana, na promoção da equidade e excelência das aprendizagens, na perspectiva de uma escola plural, inclusiva e comprometida com a formação integral dos estudantes (BRASIL, 2017).
Segundo Nunes et al. (2005), Brandt e Moretti (2016) o ensino da matemática deve permitir que os estudantes compreendam que ela não é um corpo de conhecimentos rígidos e engessados, mas sim, uma ciência viva, cuja evolução se alimenta dos conhecimentos de outros campos científicos.
Assim, uma educação matemática de qualidade deve ser conduzida por uma visão de ciência, presente em diversos contextos, de maneira a contribuir para a resolução de problemas.
O ensino da matemática em nossa escola
Preservar o sentido dos saberes matemáticos e promover um contato com esse modo de produzir conhecimento é um dos princípios do nosso trabalho. A educação matemática inicia-se desde os primeiros anos de vida. A aquisição e construção do conceito de número pelas crianças é um processo complexo e longo, perpassando por diferentes variáveis.
As crianças pequenas já demonstram a necessidade de contar, quantificar, ordenar e numerar. Porém, saber contar, ou melhor, “cantar” os números até chegar ao dez, por exemplo, não significa, necessariamente, que a criança saiba que dentro do número dez existem vários termos subsequentes que podem ser decompostos. É preciso considerar a capacidade das crianças, desde a educação infantil, em explorar e formular hipóteses. Conceber a atividade matemática como uma atividade de produção e não simplesmente como reprodução de algo elaborado por outro.
Pretendemos que nossos alunos tenham a possibilidade de começar a se relacionar com uma maneira particular de pensar, de fazer e de produzir conhecimento, própria do conhecimento matemático. Isso significa que eles estão inseridos em situações em que precisam resolver problemas, antecipar soluções, testá-las, contar aos colegas como resolveram determinado problema, ouvir como os colegas resolveram etc. As diferentes soluções e suas justificativas alimentam as conversas em sala de aula.
Jogos, situações cotidianas e o reconhecimento do espaço
Os jogos com regras, as situações cotidianas do contexto escolar e as sequências estão organizadas considerando as características e demandas das diferentes faixas etárias. O jogo, a brincadeira e o lúdico estão inseridos nas diversas propostas realizadas na escola.
Consultar o calendário, identificar o “dia de hoje” ou a data de um evento importante, consultar o índice nos livros, saber quem tirou mais pontos no dado para iniciar um jogo, organizar os grupos para uma brincadeira e distribuir materiais para uma atividade específica dão origem a importantes conversas matemáticas em sala de aula.
Conhecer e reconhecer o espaço também se constitui como conhecimento matemático. O senso espacial está relacionado aos conhecimentos geométricos e evidentemente ao pensamento matemático, na perspectiva que adotamos na Infanzia. As crianças, desde bebês, vão explorando o espaço no qual estão inseridas, pegam objetos, lançam, engatinham, caminham, e por meio dessas interações, muitos indícios do desenvolvimento da percepção espacial vão sendo evidenciados.
Formando vínculos positivos com o conhecimento e a matemática
Propomos às crianças a resolução de problemas não convencionais, pensados a partir de situações do cotidiano ou de temas que instigam a sua curiosidade. Dessa forma, colaboramos tanto para que as crianças avancem quanto para que se percebam avançando, para que se sintam capazes de fazer uso do conhecimento em situações que lhes deem sentido e, especialmente, para que estabeleçam um bom vínculo com o conhecimento e com a disciplina da Matemática.