A avaliação está no centro dos processos educativos, indissociável do ensino desde quando a escolaridade se tornou obrigatória. Como nos diz Alicia Camilloni, a forma como uma escola avalia, o que ela avalia e como interpreta e comunica essa avaliação também comunica muito sobre a própria escola.
Na Infanzia, realizamos a avaliação de forma qualitativa. Desde o berçário até o 5° ano, a avaliação sobre o processo de aprendizagem acontece. Na Educação Infantil e até o 1° ano do Ensino Fundamental, realizamos relatórios individuais semestrais. Entendemos que nesta etapa da escolarização é necessário descrever os contextos do aprender e como a criança responde a cada projeto e sequência de investigação e estudo.
A partir do 2° ano, inserimos as crianças nos instrumentos de avaliação considerados mais tradicionais, como testes e provas, além de promover atividades avaliativas (pesquisa, seminários) e considerar as atitudes como parte da nota final.
A essência da avaliação na Infanzia é: avaliamos para ensinar melhor e acompanhar, permanentemente, os avanços e desafios de cada estudante.
Avaliamos para tomar decisões mais acertadas sobre o que e como ensinar. A interpretação sobre o que sabem e o que não sabem os alunos, as diferentes formas como resolvem os problemas nas diversas áreas do conhecimento são ferramentas do trabalho docente. Na escola, conhecemos e lidamos com a diversidade de pessoas e não seria diferente com as aprendizagens. Desenvolvemos processos de trabalho buscando atender essa diversidade.
Quando chegam ao Ensino Fundamental, ainda no início de sua vida escolar, as crianças vão aprendendo que na escola se aprendem “coisas específicas” e que esses conhecimentos (suficientes ou insuficientes) são avaliados pelos adultos; estão aprendendo como se aprende, como se demonstra o que aprendeu, o que se faz quando não aprendem, quando têm dúvidas, a confiar no que sabem, a identificar o que não sabem! Assim, minimizar a situação ou reagir de forma exagerada, com broncas e castigos não nos parece o melhor apoio para produzir um contexto de reflexão sobre o processo vivido.
Por volta do 2º ano também estão aprendendo o que é uma prova, um teste, uma nota atitudinal. O que diferencia uma situação cotidiana em aula de uma situação de avaliação? Como se estuda em casa? O que vai acontecer se não estudarem? O que devem fazer com o que não sabem? Além dos conteúdos específicos, a entrada no Fundamental remete a uma aprendizagem bastante específica e essencial para a escolarização: aprendendo que podem aprender. Vejam que são muitas e diversas as aprendizagens que estão em jogo e trilhar esse caminho não é algo tão simples quanto pode parecer.
Explicitar a confiança na possibilidade de aprendizagem de cada criança e um plano de ação familiar pode comunicar a elas que podem contar com os pais em seu processo de aprendizagem, assim como podem contar com a escola. Não se trata de “estudar com os filhos todos os dias”, mas rever a rotina de estudo, aproximar-se da rotina das lições de casa no que se refere à realização das mesmas, apoiar a organização dos materiais, manter conversas mais próximas sobre o que está sendo estudado na escola, promover situações de leituras e ampliação do capital cultural, entre tantas outras ações.
Seja qual for a atitude de cada família, o importante é que as ações estejam ancoradas na forte intenção de ajudar a criança a manter a confiança na sua possibilidade de seguir aprendendo. Entendendo que os momentos formais de avaliação fazem parte da cultura escolar no intuito de instrumentalizar o trabalho docente e sistematizar o conhecimento trabalhado no coletivo.