É com alegria que recebemos nossas crianças de volta às atividades após o período de férias de julho. O retorno à rotina escolar é sempre um momento especial, tanto para as crianças quanto para nós, educadores. Nesse contexto, reconhecemos a importância do acolhimento, em especial para aquelas crianças que estão dando seus primeiros passos fora de casa.
A entrada na escola é um processo repleto de inquietações, ansiedades e expectativas das famílias e também dos educadores que aguardam ansiosamente cada uma dessas crianças. Marca a transição de um espaço conhecido para um espaço desconhecido, diferente e coletivo. É necessário que famílias e escola se conheçam e possam, portanto, começarem a estabelecer uma relação de confiança.
As dúvidas a respeito de como cuidarão da criança em um grupo com outras crianças aparecem, assim como as inseguranças e preocupações. Isso acontece porque as famílias desejam, com toda a razão, que os filhos sejam cuidados e amparados com afeto e carinho e que possam ser atendidos da melhor maneira possível. A escolha da escola é uma decisão que envolve a criança, mas que é realizada pelos adultos responsáveis por ela.
Em outras palavras, as crianças estão dando seus primeiros passos no mundo oficialmente quando passam a frequentar uma escola, começando a se separar de suas primeiras relações. Ainda que o espaço seja coletivo, as famílias esperam que cada criança seja amparada em sua individualidade, o que justifica as preocupações e as angústias. Afinal, qual família não fez a famosa pergunta “Será que estão cuidando bem do meu filho?”
Levar em consideração as individualidades também significa que os comportamentos frente ao desconhecido são diversos. Algumas crianças choram, outras se apoiam na brincadeira, outras nas próprias mães e ainda outras crianças querem descobrir cada canto do novo espaço.
É preciso oferecer tempo para que as crianças possam, aos poucos, sentirem-se confortáveis e seguras dentro do novo espaço, com outros adultos e com a nova rotina, dando a elas a certeza de que as famílias sempre retornam para buscá-las.
Ao longo de tantos anos vivemos ao lado de muitas famílias, angústias e inseguranças da tão esperada primeira vez na escola e podemos garantir que não existe instrução pronta para as inúmeras situações ou comportamentos que se apresentam.
Não desejamos, como educadores, que a criança se molde à instituição, mas que ela seja verdadeiramente acolhida. Para isso acontecer, é necessário que a escola acolha a família, que faz parte da vida da criança. Que as famílias observem as ações das crianças no novo espaço, como estão agindo e aceitando a aproximação de outros adultos. Que sejam informadas do funcionamento sobre o período de transição na escola escolhida. Que abram espaço para o novo, que pode ser também prazeroso e interessante e, acima de tudo, confiem na escolha que realizaram.
Na Infanzia o período de acolhimento é cuidadosamente pensado e planejado com a família e a gestão da escola. As famílias acompanham os primeiros dias de seus filhos com os profissionais. Aos poucos, e a partir da resposta de cada criança, as famílias vão se despedindo de seus filhos.
Acolher tem a ver com a atitude de aceitação e hospitalidade que podemos ter frente ao outro. Portanto, não é necessariamente um processo natural, porém algo a ser construído por todos os que atuam no sistema escolar (professores, alunos, funcionários, pais). Uma construção robusta e duradoura deve estar fundada em solo firme, onde sejam concretos: respeito, confiança, delicadeza, afeto e conhecimento.
E diálogo, sempre.