A Infanzia acredita no seu papel formador e motivador de hábitos alimentares saudáveis e desenvolve tanto ações dirigidas às crianças e suas famílias, como para a formação de seus professores.
Planejar um cardápio variado, sem ultraprocessados, e muitas vezes, diferente do que é apresentado em casa, tem sido uma forma de convidar nossos alunos e alunas a experimentar.
Aceitar um novo alimento só acontece se este alimento é repetidamente oferecido. O que vemos é que, ao chegar em uma determinada faixa etária, quando a criança se recusa a comer, para-se de oferecer.
Em nossa experiência, temos visto que ao permitir que a criança prove o mesmo alimento diversas vezes e de diferentes formas, o paladar se amplia. O convite a experimentar faz parte da dinâmica de todas as nossas refeições.
Guia Alimentar da População Brasileira
Criado em 2006 e reeditado em 2014, o Guia Alimentar da População Brasileira, produzido pelo Ministério da Saúde em conjunto com a USP, recomenda práticas alimentares saudáveis, classificando de uma forma inédita os alimentos.
O Guia leva em consideração o processamento dos alimentos, não somente seus nutrientes. O Guia recomenda incentivar os alimentos in natura (e os ingredientes culinários em menores quantidades), limitar os processados e evitar os ultraprocessados.
Se alimentar bem não é exatamente contar calorias, mas comer comida de verdade.
E por que esta discussão e recomendação se torna tão importante para nós, da Infanzia? As refeições na Infanzia são organizadas, prazerosas e promotoras da alimentação adequada. Como são feitas em grupo, potencializam a formação de atitudes importantes para o desenvolvimento dos pequenos, as quais esperamos possam ser mantidas na vida adulta.
Além de fornecer alimentação variada e equilibrada – importante para o crescimento e desenvolvimento corporal – favorecemos a formação de valores culturais relacionados aos alimentos e ao comer em grupo, ao comer compartilhado, ao prazer de comer e ao prazer à mesa.
Valorizamos o horário das refeições, estabelecendo uma rotina de atividades para motivar o consumo alimentar adequado e também proporcionar o convívio social e trocas de experiências. Durante as refeições, as crianças mantêm-se sentadas enquanto os colegas finalizam a refeição. Conversam, trocam, apoiam o outro a experimentar algo que não está acostumado.
Os momentos de Culinária, Cozinha Experimental e Horta também ampliam as preferências das crianças, além de possibilitar a identificação de alimentos.
Como lembra a nossa nutricionista Bruna Peres, “o cuidado com a alimentação da criança continua sendo uma tarefa coletiva e compartilhada com os familiares, escola e outros espaços de convívio da criança”.
A relação da criança com a comida leva tempo para ser construída. Comer junto, conversar com a criança, falar sobre o alimento que se tem no prato, sorrir, elogiar o sabor, o cheiro e o ato de comer sem ajuda são atitudes que transformam a hora de se alimentar em um momento positivo e prazeroso.