Desde que fundamos a Infanzia percorremos escolas de diferentes países para aprender, ver, participar, contactar e pesquisar formas de organizar e se fazer escola. Engana-se quem pensa que para gerir uma instituição de educação basta uma determinada formação e estrutura. Uma escola de excelência só se constrói a várias mãos, olhares, pesquisa e estudo. Foi-se o tempo em que as metodologias e a forma de ensinar se davam a partir de cartilhas e manuais.
A escola contemporânea – atual – entende que o educar se dá no espaço físico, nas relações estabelecidas entre todos pertencentes à escola (não somente na relação professor-aluno), nos materiais ofertados, nos gestos, nas palavras trocadas, na possibilidade de diálogo, argumentação, criação e autoria. Percorrer e conhecer outras instituições de educação amplia não somente nosso saber pedagógico, como também nos coloca numa posição de fora olhando para dentro. Marcelo Bueno escreve que “a nossa ação no mundo, a ação educativa com as crianças dependem do que temos nos tornado na vida. Nessa vida que nos atravessa, que acontece no presente. Aqui e agora. É a nossa sensibilidade que é capaz de modificar o mundo. É cada livro lido, cada filme, música e pôr do sol. Cada abraço, colo e risada. Cada lágrima, amor e paixão. Cada incerteza e angústia, cada encantamento e arrepio. Isso nos faz o que podemos ser. A ação educativa é a costura entre o que carrego em mim e o que carregam fora de mim. É o eu, a outra pessoa e o mundo inteiro”.
Quando entramos em escolas, em nosso território nacional, reconhecidas e com propostas pedagógicas inovadoras e coerentes com o que acreditamos, conseguimos perceber muito do que já fazemos na Infanzia sendo provocadas ao que podemos fazer a mais. Sempre em movimento, de renovação, atualização e aprendizagem daquilo que é o mais recente nas discussões educacionais e de desenvolvimento infantil.
Ter uma escola que se preocupa não somente com a formação acadêmica, mas também com a estética dos espaços e materiais; com a formação e responsabilidade de uma alimentação saudável; com a saúde sócio emocional de todos e da construção de uma cidadania global são pilares encontrados nas escolas visitadas.
Concordamos que os aprendizados das crianças são mais enriquecidos quando construídos em convívio, na troca de experiências e na solidificação das convivências, assim também são as viagens de estudo. Além de conhecermos educadoras de diferentes cantos do país, trocamos referências, desafios, formas de lidar com determinadas situações e atividades de qualidade referentes ao processo de ensino aprendizagem. A Infanzia acaba sendo um pouco de cada parte deste mundo afora.
Constatamos que conhecimentos e saberes não estão divididos em assuntos escolares, e sim em projetos para aprofundamento em suas múltiplas linguagens.
A parceria entre crianças, adultos e o conhecimento é fundamental para a construção de novos saberes.