Quando a criança completa os dois anos, o retirar a fralda começa a ser uma preocupação e desejo das famílias. Como nos diz Maíra Dourado, controlar os esfíncteres não é um processo ensinado à criança, mas, sobretudo, um processo de conscientização sobre o seu corpo e si mesma que vai acontecendo à medida que a criança se desenvolve. Não se ensina a tirar a fralda. O desfralde deve acontecer quando a criança começa a dar sinais de que o momento chegou. Por isso, é inadmissível pensar em um desfralde “escolar”, em que todos devem fazer ao mesmo tempo. Os sinais do desfralde são individuais. Cada criança dá em um determinado tempo – entre os dois e três anos – pistas de que está preparada para controlar os esfíncteres. Por exemplo, ela já não quer ficar todo o tempo em pé, tem linguagem compreensiva, diz “não” quando não quer realizar algo, consegue colocar algumas coisas em seu lugar, gosta de imitar os demais, começa a ter regularidade nos movimentos intestinais e a conhecer seu próprio corpo. (BARBOSA; QUADROS, 2017, p. 62)
É com a família que a criança estabelece os primeiros vínculos afetivos: o primeiro banho, a amamentação, as trocas de fralda, as primeiras histórias e cantigas… Esses momentos de cuidado ganham uma dimensão ainda mais profunda se considerarmos a constituição do sujeito, pois, ao ser cuidada, a criança vai entendendo progressivamente que mundo é esse em que ela está inserida e quem ela é nesse mundo. Em sua maioria, os cuidados acontecem primeiramente no seio familiar para depois serem ampliados a outros espaços. Na Infanzia, ao percebermos os primeiros sinais de desfralde, convidamos a família para um encontro, em que a orientamos e marcamos uma “data” para iniciar o desfralde. Este início se dá em casa, em um final de semana, por entendermos que é no ambiente familiar que a criança dispõe do que lhe é habitual, com vínculos suficientemente fortes para não deixá-la insegura ou amedrontada, sendo a continuidade do “estar sem fralda”, na 2ª feira, na escola. Em todo processo de aprendizagem é comum haver avanços e retrocessos. Pode ocorrer de uma criança que inicie o desfralde e já use o vaso sanitário e, por algum motivo especial, volte a fazer xixi e cocô na roupa. Quando isso ocorre, a escola tentará com a família estabelecer novas estratégias para favorecer o avanço da criança.
Nas palavras de Maíra Dourado, estudiosa e pesquisadora da 1ª infância, em algumas situações, há famílias que resistem ao processo de desfralde. Às vezes porque não percebem que o “bebê” cresceu, às vezes porque não querem enfrentar o desafio de acompanhar a retirada de fralda, afinal, é preciso empenho e dedicação por parte do adulto para garantir a atuação da criança nesse processo. Mas o fato é: se a criança já dá pistas de que é preciso começar, não há por que postergar esse início. Atrasar a retirada da fralda não é favorável para o desenvolvimento da criança. Vale lembrar: a criança precisa demonstrar que está iniciando o processo e jamais o adulto deverá impor esse início. Do mesmo modo, se a criança já possui todas as condições para o desfralde, não justifica a permanência da fralda. É importante ficar claro que a parceria entre família e escola é fundamental para que o desfralde aconteça de modo acolhedor e tranquilo para a criança. Referências Bibliográficas Dourado, Maira. O desfralde na Educação Infantil. E-book. Acesso em novembro de 2022. Acervo pessoal.